Marcelo CIC comenta sobre o Tomorrowland e conta mais detalhes de sua carreira

Marcelo CIC comenta sobre o Tomorrowland e conta mais detalhes de sua carreira

Em 2 de maio, durante o segundo dia do Tomorrowland BrasilMarcelo CIC, um dos maiores DJs da cena brasileira concedeu uma entrevista exclusiva para o Beatland. Onde falou sobre diversos assuntos, no decorrer de um bate-papo super descontraído na Vila dos Artistas.

Marcelo CIC, começou a carreira aos 11 anos de idade, no Rio de Janeiro. Em 2005, alcançou o mercado internacional com lançamentos em diversos selos conceituados de house e techno. A faixa “Time for my rhodes”, foi escolhida por Carl Cox para fazer parte da sua biografia. Tocou nos festivais Skol Beats e WMC em 2007/2008; Rio Parade; Heineken Thrist; Chemical Music; MOB; Creamfields Brasil; RMC, entre outros. Atualmente é residente do club nº 1 do mundo, o Green Valley, e também do maior festival de música eletrônica do centro-oeste brasileiro, o Federal Music.

Abaixo, confira a entrevista na integra:


Quando esteve lá no palco principal, você sentiu como se estivesse no Tomorrowland da Bélgica?

Olha, eu acho que o  do Brasil está melhor que o da Bélgica. A energia aqui é bem melhor, cara, foi uma surpresa incrível. É a realização de um objetivo não só por estar tocando, mas por ter amigos e minha família por aqui. Todos do meu lado nesse momento, talvez, o mais importante da minha vida.

Poucas pessoas sabem o quanto trabalhei durante vários anos, mas nesses últimos trinta dias que antecederam o show de hoje, só mesmo a Fernanda [esposa do CIC], que realmente viveu intensamente. Havia dias que ela tinha que literalmente derrubar a porta do estúdio, falando: “Marcelo, você precisa comer, você precisa viver”, de tão concentrado que eu tava. É o que eu falo pra todo mundo, tocar é fácil, agradar é difícil, entendeu? E eu acho que eu fui feliz hoje. Eu acho que eu consegui agradar.

É por isso que eu me dedico, nada é mais importante na minha vida do que agradar os que admiram o meu trabalho. E aí, você soma isso aos seu melhores amigos e o público vibrando com você, te passando energia positiva e mandando mensagem. Hoje em uma hora, recebi praticamente 200 mensagens. Pessoas que eu nem esperava, que não são tão próximas de mim, me mandaram mensagens. Então eu peguei tudo isso e transformei numa energia pra que eu pudesse usar, acho que isso foi mais importante.

Tem muitas pessoas que não estão dormido e se alimentado direito, tudo isso devido ao fato de estarem esperando ansiosamente por esse momento. Vocês [DJs] sentem a mesma coisa?

Sim, acontece que nós temos três dias de Tomorrowland Brasil e esse evento vai se estender até 2020. Só que durante o ano para que isso aconteça, você tem milhões de eventos no Brasil que contribuem para a música eletrônica. Eu sou residente do clube nº 1 do mundo, que é o Green Valley, sou também residente do maior festival de música eletrônica do centro-oeste brasileiro, o Federal Music, um evento que coloca trinta mil pessoas a cada edição e que contribui para a cena de Brasília, o Rio Music Conference tem parcela super importante no crescimento do mercado brasileiro, assim como diversos outros clubes e eventos.

O tema anterior da Dream Valley foi produzido pelo Mario Fischetti, onde fez o remix de “I Follow Rivers”, música da Lykke Li. Na sua vez de produzir, o que pensou: remixar ou começar do zero?

Na verdade, inicialmente a música seria feita por um artista internacional, só que não daria tempo dele entregar, então, eu tive 48 horas para criar a “Keep Running”. Não foi a minha melhor faixa até hoje, mas foi talvez, a mais importante naquele momento. E depois eu produzi “Clunk”, que o Hardwell tocou, assim como muitos outros tocaram. Agora “Superfans” é a minha música de trabalho atual, e tenho mais quatro novas músicas prontas que toquei hoje.

Tive a chance de ser convidado para produzir a faixa “Keep Running” pro Dream Valley. Então são esses eventos que fomentam o mercado para que a gente possa ter sustentabilidade de fazer o Tomorrowland tornar realidade. Não adianta, o Tomorrowland não vai acontecer do dia pra noite, cada player do Brasil tem a sua importância, para que nós tenhamos um sucesso como esse aqui. Eu fico emocionado porque assim, hoje eu toquei, mas daqui a dez minutos eu vou virar público, sacou? Eu vou juntar aos meus amigos e vibrar com cada DJ que eu admiro.

A BBC Radio 1 é super importante na música eletrônica. Como foi ter “One” tocada nessa rádio?

Cara, é tipo… Você ser tocado pelo Hardwell, pelo Tiesto, Calvin Harris, é demais. Mas você ser tocado pelo Pete Tong é tipo unbelievable (inacreditável). Você chegou num patamar diferente, sacou? Até porque para você chegar até ele é difícil, para ele tocar sua música é praticamente impossível. E ele ter tocando, ter dado suporte e falado da música foi…

Fui muito feliz de ter feito essa música com dois amigos: Wesley e o Vitor do WAO, talentos brasileiros. É isso, a música aconteceu. Hoje ela é a mais vendida do selo Oxygen, da Spinnin Records, no Beatport. Ela chegou na oitava posição do Beatport Overall e Top 1 dentro do segmento, que é o Electro House. Mas, vem mais coisas por aí. Eu não to satisfeito, não.

Falando em satisfação, você disse que “Keep Running” não lhe agradou. Você pensa em remasterizar, remixar ou re-lançar?

Olha, seu eu meter a mão nessa faixa hoje, vou tomar um tiro, eu acho. Porque ela marcou as pessoas, tem gente que tatuou a letra no braço.

… Mas não tem problema. Todo mundo, as vezes revê um clássico.

Talvez, talvez. Eu não posso adiantar pra vocês, mas já adiantando, vai ter uma releitura da “Keep Running” no meu álbum. Surpresa!

Então você lançará um álbum? E o que o público pode esperar?

Já estou trabalhando nele. E espere o inesperado, espere o Marcelo CIC como você nunca escutou, fazendo de tudo.

Nesse álbum você está explorando um outro gênero, e há quanto tempo você está trabalhando nele?

Vários. Desde dezembro, quero fazer algo com muito carinho para os meus fãs, porque eles merecem. A gente não tá com pressa. O álbum só vai entrar no mercado quando tiver tudo ok.

Você é muito perfeccionista?

Nossa, demais. Tudo meu é cinco vezes revisado, dez vezes revisado. Para trabalhar com profissionais é muito difícil, porque eu sempre quero que eles pensem antes de mim. E as vezes eles conseguem, as vezes não. Mas nós somos um time, então a gente trabalha junto, pensa junto. Tudo que tá acontecendo eu devo a eles. Marcelo CIC é apenas um elemento de um time de profissionais maravilhosos.

Vocês tem uma estratégia para ganhar o mercado como o Flume?

Várias. Nós não temos uma estratégia, nós temos várias. Eu trabalho com pessoas que são maravilhosas e super capacitadas. Hoje eu posso deixar na mão deles, que eu tenho certeza que eles vão pensar como eu. Isso me dá segurança e tranquilidade para poder trabalhar.

E aqui no Tomorrowland Brasil, rolou alguma parceria?

Olha eu sou muito agradecido a eles, a toda produção. Eu tenho que agradecer aquele cara que tá passando ali [apontando para Luiz Eurico Klotz]. Porque ele foi o primeiro cara que me ligou, isso em 2003 talvez, e falou o que eu tinha que fazer naquele momento para me tornar um DJ respeitado e poder trabalhar com ele. Depois veio o Edo, que é um pai para mim, muita coisa do que fiz e faço eu devo a esse cara. É muito difícil falar desses caras, porque independente da posição deles, eu sou tratado igual há mais de 10 anos no mesmo time.

O time é tão grande que se eu ficar citando nomes posso acabar esquecendo alguém. Posso citar o Green Valley, que é a minha casa, posso citar o Federal Music, o Raul e o Rafi. Posso agradecer a Plus Talent, a SFX. Não é modéstia, eu sou um cara pé no chão. Ano passado se juntou ao time uma pessoa muito especial que é o Gustavo Silva, meu manager, ele cuida da minha carreira com a Dropperz Management, a Musicmasters e Universal Music por todo apoio.  Enfim, o time é grande!

Eu tava vindo para cá sozinho no carro, já fiz várias vezes esse trajeto para tocar na Anzu (clube de Itu), mas hoje, passou um filme na minha cabeça vindo para cá [Marcelo vai às lágrimas], meu pai me ligou e disse várias coisas muito importantes para mim. Não tenho o que falar. Agradeço aos meus pais. Família é a base.

cic tomorrowland

Se não tem família, não tem nada que valha a pena…

Se você não tem família e amigos… As palavras do meu pai foram assim, tipo: “Vai lá e faça … Você é um campeão, faz o que você sabe fazer, você é o melhor para nós”. Muita emoção.

Você está representando o Brasil lindamente.

Não só eu, o Felguk, FTampa, Vintage Culture, Alok e muitos outros… Todos são vitoriosos, todos merecem e tenho certeza que todos vão dar o seu melhor e representar muito bem.

A dance music brasileira é muito nova, de uns dois anos para cá começou a explodir um monte de DJs brasileiros. Quais fatores influenciaram isso?

Acho que a gente cansou de ficar em segundo plano. A gente tem potencial para tá como todos os gringos. Hoje vocês foram prova disso, vocês viram o que aconteceu. E amanhã vai se repetir.

Todo os artistas gringos falam que os brasileiros são incríveis. Alguma coisa em nós, brasileiros, te influencia?

A energia. Não tem jeito, o povo brasileiro é incrível. Hoje eu fiquei muito surpreso. Quando você vê pessoas com o seu nome em cartazes, com camisas, tatuagens… Eu não sei se sou digno. Aliás quer saber? Eu sou. Porque eu trabalho, eu entrego muitas coisas para os meus fãs e eles voltam com esse carinho. Plantando o bem que você colherá o bem. E hoje foi prova disso, eu não esperava. O nosso mercado é muito disputado mas existe espaço para todos que trabalham sério. Preparem-se para o ano que vem.


Para finalizar, CIC com toda sua simpatia grava um vídeo bem legal, divulgando o Beatland nas redes sociais, veja abaixo: