Lollapalooza Brasil: Uma breve análise sobre a edição 2017

Lollapalooza Brasil: Uma breve análise sobre a edição 2017
Foto: I Hate Flash

Feche os olhos. Imagine uma porta se abrindo, e dentro há um novo mundo. Lá você assistirá alguns dos melhores shows da sua vida, com espaço para diversidade, e você nunca estará sozinho. Mesmo que não esteja com seus amigos, milhares de desconhecidos estarão lá, junto com você, para fazer essa terra mágica ser mais mística. É quase isso que o Lollapalooza propõe. Só que nada é perfeito, mas ainda não é hora de falar disso. Vamos começar pelas coisas boas.

O lineup parecia pobre, com poucos nomes, mas era o suficiente para ver de tudo um pouco sem ter que fazer muitos sacrifícios por conta de conflitos de horário. Os destaques do festival foram as bandas alternativas e de rock, mas a música eletrônica teve seu espaço cativo no Palco Perry. Artistas como Ricci, Haikaiss e Victor Ruiz passaram pelo palco e deixaram sua marca na história do festival. Então Don Diablo assumiu e encontrou uma plateia fiel e animada.

Depois Tchami fez seu primeiro show em terras tupiniquins e não desapontou. Os fãs não tinham nada a reclamar. E houve espaço para a cena nacional no horário nobre. Esse lugar foi de Vintage Culture. Uma multidão enfrentou o pequeno espaço disponível para ver a apresentação de um dos maiores nomes da atual cena brasileira. E para fechar o eletrônico no palco do sábado, tivemos Marshmello, atração também inédita no Brasil. Ele era o mais esperado, com muitos fãs vestindo camisetas, balões com a face dele. Havia até uma pessoa vestida exatamente como o DJ mascarado.

No palco Axe, também houve eletrônica. A dupla Bob Moses tocou bem cedo com seu som mais orgânico e outra dupla sensação fechou a noite. The Chainsmokers arrastou muita gente para o palco, fazendo um set variado que ia além de seus maiores sucessos, como “Don’t Let Me Down”,  surpreendendo muita gente.

Havia eletrônica com a banda The XX no palco Ônix. Os ingleses que costumam beber doses homeopáticas de elementos eletrônicos, fez um show incrível ditado por Jamie Smith, mais conhecido como Jamie XX. E o público apaixonado deixou os integrantes incrédulos e muito emocionados. E isso tudo foi só no primeiro dia.

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No domingo, Gabriel Boni, Illusionize e Chemical Surf esquentaram o Palco Perry. Após os brasileiros e envolto em polêmica, o israelense Borgore entregou um set de dubstep combinado com trap que harmonizou com o DJ seguinte, GRiZ, que segue muito perto dessa linha mas com instrumentos ao vivo. Na sequência, Oliver Heldens e as irmãs NERVO fizeram shows já bem conhecidos do público brasileiro.

A situação ficou tensa quando Martin Garrix iniciou seu set. As pessoas se espremeram e usaram todo e qualquer espaço disponível para ver o prodígio holandês tocar. A situação exigiu que a entrada do palco Perry foi fechada por seguranças. No mesmo horário e com mais espaço, o australiano Flume fazia um show emocionante no palco Axe. O público cantou a plenos pulmões “Tennis Court”, “Never Be Like You” e “You & Me”. O DJ e produtor também ficou muito emocionado e não parava de sorrir, interagindo com o público diversas vezes, abandonando seu posto e dando uma passeada rápida no palco e no fim, disse que nunca havia visto uma plateia tão apaixonada.

Um pouco antes disso, The Weeknd tocou no palco Ônix para uma plateia enorme e ansiosa pelo grandes hits. Ele logo começou com “Starboy”, uma de suas colaborações com o duo Daft Punk. Muita coisa rolou além, como duas horas de Metallica no sábado, a dinamarquesa MØ, entre outros.

Esta edição bateu recorde de público. 100 mil pessoas no sábado e 90 mil no domingo. No primeiro momento isso parece legal, mas quem estava lá sabe que a situação estava bem complicada. Era um mar de gente. Não importava para onde você ia, tinha muita gente. Filas. Muitas filas. Houve relatos de pessoas que esperaram de 30 minutos até mais de 1 hora para comprar uma cerveja ou água, muitos outros alegaram terem desistido de comprar qualquer coisa devido as filas. Sem falar dos preços, a falta de opção de refrigerante e daquela velha tecla que nunca deixaremos de bater: água tem que ser de graça ou num preço mais acessível.

O Lollapalooza é aquele festival que se consolidou aqui e já está na agenda de todo mundo, mas ainda tem coisas a melhorar, afinal, como dissemos lá em cima: nada é perfeito.