O som do deserto

O som do deserto

Com uma religião rígida e cultura conservadora, alguns países do Oriente Médio ainda priva a liberdade de muitas pessoas. Eventos musicais onde há bebidas e mulheres com poucas roupas são tabus enfrentados nesta sociedade, sobretudo, para o público jovem. No entanto, em Aqaba – na Jordânia, acontece anualmente um show de música eletrônica no extremo Sul, numa região costeira distante a 8 km da fronteira com a Arábia Saudita e reúne milhares de pessoas.

Nem o frio que cai durante a noite no deserto, desanima os milhares de jovens que vem do Líbano, Iraque, Jordânia e Armênia para um encontro em prol da diversão. O palco da apresentação é montado por um enorme cubo prateado, cuja estrutura cobre a pista de dança. Luzes coloridas e agitadas, uma moderna decoração e telas de computadores compõem o cenário. No topo da montanha – acima do mar vermelho – as pessoas vão se aglomerando para o início de uma única noite de diversão e se entregam ao ritmo da música para fugir da rotina.

Quando a festa realmente começa, o ritmo que pulsa ao som da música é animada por DJs europeus como: Ferry Corsten – dos Países Baixos, e o alemão, Alex M.O.R.P.H.

A pista é estratégica, a visão para o mar é um privilégio, na altura das montanhas os hits mais tocados em todo o mundo levam a galera ao delírio, num jogo de dança, alegria e descontração. Embora seja comum em outras partes do mundo, eventos assim são raros de acontecer no Oriente Médio, inclusive no Iraque e Armênia, sendo assim, as pessoas aproveitam o máximo o calor do momento, uma vez que ao voltar para casa este encanto se desfaz.

No clímax da noite, não falta energia para dançar e inovar coreografias, a dificuldade e a miséria enfrentadas na realidade diária, dá lugar ao riso fácil e nessa ‘vibe’, diferenças religiosas e territoriais desaparecem.
Após nove horas de muito som e curtição, eis que o sol aparece entre as montanhas do deserto árabe e é hora de voltar para casa.

Para um jovem do Oriente Médio, a felicidade de curtir um evento musical nesses encontros que reúnem iraquianos, libaneses e árabes é um ato histórico de confraternização.

A alegria que a batida da melodia eletrônica pode oferecer a estes jovens, vai além da reunião de vários costumes, realidades e culturas distintos, a música transforma e quebra tabus numa região marcada por guerra, conflito e opressão.