Review: “Memories… Do Not Open” é o decepcionante primeiro álbum do The Chainsmokers

Review: “Memories… Do Not Open” é o decepcionante primeiro álbum do The Chainsmokers

Após muita espera, finalmente o duo The Chainsmokers – formado pelos produtores Andrew Taggart e Alex Pall – divulgou seu tão aguardado álbum de estreia “Memories… Do Not Open”. Com um total de 12 faixas, o material traz algumas colaborações de Emily Warren, Coldplay, Louane, Jhené Aiko e Florida-Georgia Line, tendo uma sonoridade bem diferente do que estamos acostumados a ouvir na música eletrônica, mais se aproximando com o gênero pop.

Capa do álbum.

01. The One

É uma ótima canção, e ótima para a abertura de um disco. Para um trabalho como um LP, é necessário algo consistente, coeso, pois é uma obra que ficará marcada na carreira do artista, ainda mais sendo um primeiro disco de grandes hitmakers como The Chainsmokers. Começaram com o pé direito.

Down and down we go / And we’ll torch this place we know / Before one of us takes a chance / And breaks this, I won’t be the one

02. Break Up Every Night

Em todos os shows, o duo formado por Alex Pall e Andrew Taggart tocam algumas músicas que os inspiram. Eles já deixaram claro que são fãs de Red Hot Chilli Peppers e Blink 182, nessa produção, podemos perceber claramente a influência dos mesmos. Remete também ao som do The All American Rejects, que bombou entre 2009 e 2012.

03. Bloodstream

Na apresentação do duo no Lollapalooza Brasil, recebemos a letra dessa música, que foi cantada antes de Paris, porém não sabíamos do que se tratava. Com uma pegada que caminha entre “Roses” e “Paris”, a canção é envolta por melancolia e muita paixão. Porém o refrão eleva um pouco os ânimos. Nada que não tenhamos escutado ainda do The Chainsmokers.

04. Don’t Say

A parceria com Emily Warren já começa com os sintetizadores e o famoso vocal chop, que dominou o verão em 2015. Dentre as quatro primeiras músicas do disco, essa é a melhor delas. Vale registrar também que é reconfortante escutar outro vocal que não seja o de Andrew. Continua sem inovação, mas não deixa de ser uma ótima canção.

05. Something Just Like This

Já conhecida pelos fãs, a parceria com Coldplay é a quinta música do disco. Inegavelmente a música é ótima, um hit que promete ter muita repercussão em 2017. Quando essa música foi lançada, a maioria dos comentários nas redes sociais se baseava em falar o quanto a produção era parecida com “Roses”. Sim, lembra, porém a parceria com o Coldplay tem o apelo comercial que “Roses” não teve.

06. My Type

A segunda colaboração com Emily Warren no disco é um future bass, com base no piano, a canção segue o mesmo padrão das cinco primeiras. Lentidão, refrão no future bass, volta o piano. Nesse ponto do disco, podemos afirmar que ele é coeso, porém repetitivo. Em todas as canções, até aqui, sentimos que já escutamos isso antes.

07. I Won’t Kill Ya

A parceria com Louane, que finalmente foi creditada pelos vocais, é uma bela e poderosa canção. Finalmente podemos dizer que o future bass foi deixado e lado. Esta inclusive, nos lembra bastante “Don’t Let Me Down”, com uma pegada mais Survivor. Não é muito surpreendente, porém, visto o retrospecto, é a que mais chama a atenção.

08. Paris

Dispensa apresentações. Com os vocais de Andrew Taggart e Louane, “Paris” é um dos grandes hits da carreira dos produtores. Lançada em janeiro deste ano, a faixas chegou ao top 10 da Billboard e lá permanece até o momento. Uma ótima produção.

If we go down, then we go down together / We’ll get away with everything / Let’s show them we are better

09. Honest

Piano. Andrew Taggart nos vocais. Já sabemos o que esperar. Sem pré julgamentos, a música é bem produzida, porém mais do mesmo. Poderia ter sido descartada do disco, ou ter sido lançada em outra ocasião. Descartável.

10. Wake Up Alone

Pop do mais chiclete. Com toques de “Fancy” da Iggy Azalea, “Crazy (You Drive Me)” da Britney Spears, um toque de “Waterbed” do próprio The Chainsmokers e com o refrão totalmente influenciado por “Don’t Let Me Down”. Boa canção, se não fosse pop excessivo. Sem falar que no final da música, ocorre uma mudança repentina de ritmo, um tanto quanto estranha. É aquilo mais conhecido como recheio, feito só para inflar o disco e fazer fechar o número de músicas.

11. Young

Surpreendente. Uma pena que não tão positivamente. Não é uma música ruim, nem má produzida, só não se encaixa na proposta apresentada pelo duo durante todo o disco. A partir de “Honest”, todas as canções parecem ter sido feitas as pressas, para fechar o disco a tempo. Destoam do que foi apresentado anteriormente.

12. Last Day Alive

A parceria com o, também duo, Florida Georgia Line, que são lendas do country americano, é marcada pelos vocais e pela boa produção. Este sim segue a proposta apresentada pelo disco. Nada novo, nada surpreendente, apenas mais uma canção do The Chainsmokers que está prestes a se tornar um hit pela melodia cativante e letras chicletes. Boa música, ponto para o duo.

“Memories… Do Not Open” é um trabalho coeso, mas que se perde no final. Apresenta pouca inovação, não surpreende, mas que mantém os Chainsmokers nas paradas por um bom tempo. Vale afirmar também que o duo está cada vez mais fora da EDM e muito mais no mainstream, com diversas canções feitas claramente para as rádios.

Ouça na íntegra:


  • ‘Paris’ é cantada pelo Andrew e pela Emily, ela só não é creditada pra não haver “excesso” no álbum. Isso acontece em ‘The One’ também. Louane é só em ‘It Won’t Kill Ya’.