Review: Um EP com muitos hits e pouca novidade, assim é apresentado o “Collage” do The Chainsmokers

Review: Um EP com muitos hits e pouca novidade, assim é apresentado o “Collage” do The Chainsmokers
Collage - The Chainsmokers
Produção
Diversidade
Originalidade
3.0

Formado pelos produtores Andrew Taggart e Alex Pall, o duo The Chainsmokers liberou em 4 de novembro o segundo EP da carreira, intitulado “Collage”, reunindo os últimos singles divulgados durante o ano, além de uma faixa inédita. O material sucede o “Bouquet”, lançado em outubro de 2015, que conta com o hit “Roses”.

A dupla vem conseguindo cada vez mais notoriedade, obtendo ótimos desempenhos nas paradas com as recentes faixas lançadas, e, provavelmente, lançar um EP se torna mais cômodo do que produzir todo um álbum. Fortalece a divulgação dos singles que já não são mais novidade entre o público, e não gera tanta ansiedade por produções originais que um álbum iria causar. Vale lembrar que, o The Chainsmokers irá em algum momento lançar o tão aguardado disco de estréia, não delimitando um prazo específico. Sobre o assunto, um dos produtores ainda fala:

“Nós estamos dando tempo ao tempo, mas quem disse que não é um álbum de estréia que está vindo? O disco virá quando nós sentirmos que há uma demanda para isso. Estamos pensando sobre o que um álbum do The Chainsmokers poderia soar. Para nós, álbuns dance são ruins; Eles são mais compilações, mais do que qualquer coisa. Queremos que o nosso reflita um momento no tempo para nós, para contar uma história. Achamos que estamos chegando lá, por isso vamos avaliar” explica Drew Taggart em entrevista, à Teen Vogue.

collage-the-chainsmokers

Capa oficial.

Com uma tracklist de 5 músicas, a mais antiga, digamos assim, é “Don’t Let Me Down”. O single lançado em fevereiro deste ano, foi originalmente pensado para ser cantado pela Rihanna, que acabou recusando o convite. Sobre o assunto, em entrevista para a Rolling Stone, Alex comentou que estava “tudo bem […] jovens artistas desconhecidos têm essa fome e estão mais dispostos a trabalhar duro”, referindo-se a Daya, a colaboradora na versão final da faixa.

Running out of time / I really thought you were on my side /But now there’s nobody by my side

Escrita por Andrew Taggart, Emily Warren e Scott Harris, “Don’t Let Me Down” pode ser considerada uma boa farofa, uma vez que, possui letra relativamente pequena, com muitas repetições, associada a um drop extremamente viciante. Um outro ponto forte, que só contribuiu para o seu sucesso da faixa, é o uso da guitarra elétrica, produzindo um som inspirado em The XX e Explosions in the Sky, deixando uma sonoridade mais mística e ao mesmo tempo clean. A canção ela consegue se enquadrar em diversas situações, tanto para curtir em uma pista de dança, extravasando como se não houvesse amanhã, quanto para ficar parado, em sua humilde residência, ouvindo em um fone. Confia, ela vai te fazer viajar do mesmo jeito.

Iniciando o mês de abril, o duo aproveitou para divulgar o que vinha a ser o segundo single presente no EP, a faixa “Inside Out”. Saindo de um som mais elaborado e nitidamente comercial, Andrew e Alex convocam a cantora sueca Charlee para colaborar nos vocais, em uma espécie de balada romântica eletrônica. A canção teve um alcance mediano, mas ainda assim conseguiu pegar a 12ª posição na US Hot Dance/Electronic Songs, da Billboard, enquanto sua antecessora chegou ao topo nesta mesma categoria.

“Inside Out” é um future bass que tem sua letra escrita por Andrew Taggart, jutno com a própria Charlee Nyman. Ideal para quem está naqueles momentos precisando de um som para se inspirar, refletir, criar ou até mesmo para aqueles momentos em que fazemos vários nada, e só queremos pensar na vida. Acredite, essa é a música certa. Adicione em sua playlist de trabalho, corrida, estudar.

O que representa “Closer” na carreira do The Chainsmokers? Vamos por partes. Lançada em 29 de julho, o single conta com colaboração nos vocais da Halsey e Andrew. Uma track de EDM comum, com versos e drops grudentos, que aparentemente não traz nada inovador. Por outro lado, apresenta uma letra mais trabalhada, se comparada com as faixas anteriormente divulgadas pela dupla.

“Closer” foi inspirada em “Miss You”, música da famosa banda de rock blink-182, e a informação foi dada pelo próprio Taggart, afirmando que a dupla vinha ouvindo bastante em modo repeat no período de produção. Em relação a soltar o gogó na própria música, aconteceu também graças ao DJ Shaun Frank – que é também um dos compositores, pois deu uma grande força e encorajamento para tal feito. Houveram também outras influências, algumas delas creditadas após o lançamento, como foi o caso do vocalista e o guitarrista da banda The Fray, comparando um trecho de sua música “Over My Head (Cable Car)”, com o drop quem vem junto ao refrão.

Em pouco tempo, depois de lançado, o single atingiu o topo na principal parada de singles da Billboard, Hot 100, e permanece na mesma posição há 12 semanas, o equivalente há 3 meses em #1. Rendendo também convites para realizar performances em grandes premiações, e quem sabe, uma possível indicação ao Grammy. É inevitável dizer que “Closer” não é uma faixa que te prende, os incríveis vocais do Andrew – quem diria, né? – junto com da Halsey, resultou em uma química fantástica. Ela pode não ser a melhor música da sua playlist, mas é indispensável.

No final de setembro, foi lançada “All We Know”, na teoria, o quarto single do Collage. Mesmo colhendo os frutos de “Closer”, que se estende até os dias atuais, a dupla aproveitou para liberar esse som mais intimista, que fala sobre não ter medo de superar o fim de um relacionamento. E, para dar mais emoção a faixa, a cantora americana Phoebe Ryan foi escolhida para colaborar, com seus vocais doces e suaves.

“A música fala sobre as dificuldades que encaramos nos relacionamentos, aqueles momentos que parece que você não conseguirá ir adiante”

Em alguns momentos, como no drop seguido do refrão, por exemplo, “All We Know” tem uma sonoridade que lembra bastante a faixa “Roses”, inclusive a semelhança de alguns elementos. Se bem que, se parar para analisar, as músicas da dupla seguem um padrão. Uma produção, de alguma forma, sempre lembra a outra. Talvez muito conceito, talvez pouca diversidade. Mas a questão é, sabe as indicações para “Inside Out”, relatadas logo acima? Então, em “All We Know” elas também servem, e melhor, por trazer uma mensagem de conforto, afinal, falar sobre ficar tudo bem após o término de relacionamento, é uma música que entra lindamente em uma playlist de bad. E olha, mais cedo ou mais tarde, a bad vai chegar pra você também, então esteja preparado com essa música, e curta esse momento especial da vida, que serve também de aprendizado.

Encerrando a lista em uma ordem cronológica, temos a (única) inédita “Setting Fires”, lançada junto com o Collage. E voltando à teoria de que Andrew e Alex criaram um conceito ao fazer músicas parecidas, esta é a que se mostra mais dançante, junto com “Don’t Let Me Down”. E por soar mais comercial que “All We Know”, possa ser que esta faixa seja a verdadeira sucessora de “Closer”, com capacidade de ter um bom desempenho nas paradas mundo afora.

Down to my last match fire I touch just to feel / Why is it easier to burn than it is to heal?

“Setting Fires” conta com colaboração do duo americano XYLØ, e provavelmente será a próxima aposta do The Chainsmokers, até porque não há novas músicas para serem trabalhadas dentro do EP. Pode acreditar, esta faixa ainda será muito tocada nas baladas da vida, talvez não tanto nos set de outros DJs em festivais, pode-se perceber que essas músicas da dupla não são tão exploradas no mainstream da EDM, por ter uma característica mais pop, talvez.

Coloque logo essa música em sua playlist pra sacudir o esqueleto, pra limpar a casa, para um esquenta, pois ela vai te dar aquele ânimo necessário já no primeiro segundo, quando chegar o refrão então…

De um modo geral, “Collage” é um EP forte, com grandes hits, mas por outro lado, parece uma coletânea de sucessos, sem novidades para o público, já que parte das músicas haviam sido divulgadas anteriormente. Com quase 20 minutos de duração, é ideal para vários momentos, com sua sonoridade calma, ao mesmo que soa tempo dançante.

Cabe a nós aguardar pelo álbum de estreia, com músicas novas e que não sejam tão singulares. Enquanto isso, é acompanhar o reinado de “Closer” nas paradas, e torcer para um bom desempenho de “Setting Fires”.


  • Wilian Santos Vianna

    Gostei da review, concordo com muitos pontos, mas tenho um problema com o Chainsmokers. Justamente por esse padrão citado não consigo ouvir a maioria das músicas mais de uma vez, todas são praticamente iguais.
    Como exemplo, o menino Augusto citou a música “Roses”, ouvi bastante quando lançada e só lembrei agora que ela existia, e sinceramente não lembro nada dela, e pra mim é exatamente esse o problema deles, músicas que não acrescentam nada, ouvimos por uma semana (ou 3 meses como “Closes -raridade-) e depois nem lembramos que elas existem.