Ações do Spotify despencam enquanto empresa aposta em inovação para audiolivros

O cenário financeiro recente tem se mostrado turbulento para o Spotify. Na contramão de boa parte do setor tecnológico, que vem apresentando recuperação, as ações da gigante do streaming sofreram uma queda superior a 13% apenas no último mês. Se ampliarmos a análise para o último semestre, o tombo é ainda mais alarmante: uma desvalorização de 28,6%. Esse movimento reflete uma cautela crescente por parte dos investidores, que parecem questionar o atual valuation da companhia e vêm se desfazendo dos papéis em um ritmo acelerado.

A desconfiança do mercado não vem do nada. A plataforma tem enfrentado um escrutínio constante e público por parte de sua base de usuários. Janeiro, especificamente, foi um mês difícil, marcado por reações negativas a mudanças de preços e pelo debate contínuo sobre o impacto e a proliferação de músicas geradas por inteligência artificial no catálogo.

Aposta tecnológica em meio à crise

Apesar da pressão financeira e das críticas, a empresa parece estar focada em expandir suas funcionalidades para além da música, mirando no crescente mercado de audiolivros. Segundo apuração do portal Android Authority, que analisou linhas de código presentes no aplicativo, o Spotify está desenvolvendo um novo recurso denominado “Page Match”.

A funcionalidade promete uma integração inédita entre o formato físico e o digital. A ideia é intuitiva: utilizando a câmera do smartphone, o usuário poderá escanear a página de um livro físico que possui. O aplicativo, então, usará tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres (OCR) para identificar o texto e sincronizar o audiolivro exatamente para o ponto correspondente àquela página.

Flexibilidade inédita no mercado

O recurso aparenta ser ainda mais robusto por funcionar em via de mão dupla. Além de encontrar o áudio a partir do papel, o sistema permitiria o inverso: ajudar o usuário a localizar a página no livro físico correspondente ao trecho que está ouvindo no momento. Isso ofereceria uma liberdade inédita para alternar entre a leitura visual e auditiva conforme a conveniência, exigindo apenas que o usuário tenha o livro em mãos e acesso ao título na plataforma.

Como ressaltado pelo Android Authority, essa ferramenta traria uma vantagem competitiva significativa. Atualmente, a Amazon oferece um serviço de sincronização semelhante, mas ele é restrito ao ecossistema proprietário, funcionando apenas entre audiolivros da Audible e e-books do Kindle. O “Page Match” do Spotify, teoricamente, funcionaria com qualquer edição física de um livro, quebrando as barreiras de hardware proprietário.

Ainda não há confirmação oficial sobre a data de lançamento ou garantia de que a funcionalidade chegará à versão final do aplicativo. No entanto, a existência de referências concretas no código sugere que o desenvolvimento está avançado, o que pode ser uma cartada importante da empresa para recuperar o fôlego e a confiança do mercado em um futuro próximo.